O DISCURSO DOS DERROTADOS

"Vânia Frazão


Nos últimos anos, as eleições têm deixado um estigma interessante. Os que ganham eleições comemoram, e como de costume, os perdedores têm sempre um álibi para justificar sua derrota. Alguns inventam diversos álibis. O certo é que essa nova justificativa está em alta, transformou-se em modismo. Perder eleição não significa mais ausência de votos, porque afinal de contas, um candidato só se elege com votos do povo.  Não é que esta nova estratégia esteja sendo utilizada em todo o País, mas, em especial onde os peixões políticos tenham determinadas influências em algumas esferas de poderes superiores. Não estamos falando de Deus, é claro, até porque acredito que sua força abomina essa sujeira desenfreada em busca do poder mais econômico do que político.

Os derrotados nas eleições não possuem a humildade para aprender com seus erros. Não respeitam a vontade do povo, e sem essa concepção de humildade, percebe-se a ausência da liderança, bem como, da resignação, pois o que prevalece não é nenhuma concepção política ou ideológica, tampouco, a vontade de fazer acontecer em prol da sociedade, mas sim, sua estúpida vaidade pessoal.

O novo discurso dos que não se elegem denomina-se crimes eleitorais. Embora uns prefiram falar em abuso de poder econômico ou uso da máquina administrativa, até mesmo, compra de votos. Seguida de uma denúncia que gera um processo de cassação do eleito pelo povo. Eis o discurso. Tem sido assim em alguns estados do nosso Brasil, e não seria diferente no Maranhão, que outrora, poderíamos considerar uma simples província, cuja metropolização começa despontar nos últimos dois anos. Não é fácil tomar um pirulito de uma criança mimada que crê que tudo gira em torno de si. Só os ingênuos acreditam que não haverá uma revanche.

Quero me reportar primeiramente, às eleições de 2006, quando o povo do Maranhão decidiu dar um basta aos desmandos tresloucados de um único grupo político cujas ligações espúrias vão além da inocente mente dos maranhenses. Fez-se a vontade soberana. Onde está o crime? Quem é o criminoso? O povo? Nenhum álibi é convincente quando um tem que perder para o outro ganhar, aliás, é a lei da natureza. Principalmente, quando se vai para uma disputa de 2º turno, onde há sempre unificações de forças políticas. Isto aconteceu no nosso Estado, e tornou-se crime eleitoral.

Derrotar os Sarney's pode ter sido sonhos de muitos maranhenses, mas pode ser o pesadelo de todo aquele que escolheu a mudança, colaborou com a transformação e não mediu esforços para banir essa politicalha do Estado. Desde a sua derrota política, o grupo Sarney tem trabalhado incansável para tomar num provável 3º turno o governo do Estado, ingressaram com vários processos com o intuito de tumultuar as ações do governador Jackson Lago. Afinal. dois anos de muito inconformismo e de noites mal dormidas, sim, porque os veículos de comunicação do grupo tentam implantar todos os dias um terrorismo chamado cassação do governador. Enquanto isso, o governo do Estado não pará de trabalhar em prol do desenvolvimento do Maranhão.

Inconformados, a Coligação Maranhão a Força do Povo ingressou com recurso contra expedição de diploma do Governador Jackson Lago e seu Vice-Governador Luís Carlos Porto - detalhe não é só o mandato e sim o diploma -, alegando abuso de poder perpetrado por meio de contratos e convênios realizados pelo então governador José Reinaldo Tavares, que no 1º turno apoiava o candidato Edson Vidigal. Outro detalhe importante é que as assinaturas dos convênios foram realizadas dentro do prazo legal da lei eleitoral.

O vice-procurador geral eleitoral, José Xavier Filho, emitiu parecer pedindo a cassação do governador Jackson Lago (PDT) e respectivamente do vice-governador Luiz Carlos Porto (PPS) por abuso de poder econômico e político durante as eleições 2006. Afinal eles já eram governador e Vice? O mais hilário é que o vice-procurador diz que caso o TSE acate o parecer quem assumirá o cargo de governador do Estado é simplesmente a senadora Roseana Sarney (PMDB). Segundo Xavier Filho, a candidata Roseana Sarney, venceu o 1º turno e "terminou perdendo a eleição devido ao volume imenso de convênios e transferências implementadas no período vedado. Ela não obteve apoio político..." Imagino eu, que terminou perdendo a eleição porque faltaram votos suficientes que lhe garantiriam a sua vitória. Afirmar que a senadora não teve apoio político é uma interpretação ambígua, porque todos presenciaram a autoridade máxima do País, o Presidente da República, Lula, pedir publicamente e através dos veículos de comunicação para votarem na então candidata Roseana Sarney. O mesmo Presidente que anos anteriores em Imperatriz afirmou em seus discursos que esse grupo "aparecia bem nas pesquisas[...] porque passavam o tempo inteiro mentindo descaradamente na televisão". Vá entender o que se passa na mente das pessoas. 

Percebe-se claramente que a interpretação desse processo não tem cunho jurídico, como deveria ser, porém, notam-se as interpelações são essencialmente de ordem política. Afinal, quantos favores e apadrinhamentos não estão em jogo? O grupo Sarney perdeu as eleições em 2006 no Maranhão e não foi fácil para o orgulho deles, é uma desmoralização nacional. Eis a justificativa. 

Finalizando os álibis dos derrotados, nas eleições deste ano, onde concorriam os candidatos a Prefeitura de São Luís, João Castelo que despontou no 1º turno, indo disputar com candidato Flávio Dino no 2º. Vê-se hoje, numa situação semelhante ao que se refere ao discurso do juiz eleitoral. Dino resolveu também entrar com recurso pedindo a cassação do mandato de João Castelo, com a mesma argumentação. A análise é simples, quem é João Castelo? Seu histórico político e sua densidade eleitoral falam por si só. O que Castelo fez pela cidade e pelo Maranhão? E o que o juiz Federal e também deputado federal já fez por São Luís para merecer tantos reconhecimentos eleitorais do nosso povo? Aqui cabe um momento de resignação que deveria vir por parte de Flávio Dino, dando espaço para a humildade penetrar seu coração e ter o exemplo da virtude de John McCain que além de parabenizar Barack Obama pela vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, também afirmou que "O povo americano falou."  McCain foi mais além, apelou pela unidade do país, elogiou o novo presidente, clamou a Deus para inspirar seu antigo oponente e o chamou de " meu futuro presidente". A ele, nossos aplausos por entender que os problemas sociais do seu País são maiores dos que sua ambição pelo poder. E eu, me questiono, por que não? É tão difícil colaborar com o vencedor? Por que nós não podemos?

 

*Publicitária - Especialista em Assessoria de Comunicação - Gestor da Comunicação - Especialista em Comunicação Corporativa
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